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O poder da reciprocidade no Networking

Raquel Rodrigues | Aug 8, 2017

Em fevereiro de 2016 decidi organizar um evento chamado “Happy Hour e Papo de Networking” de forma despretensiosa para reunir meus amigos e interessados no tema. E pensei que seria uma boa ideia criar um Meetup para ampliar a divulgação.

Pesquisando nomes vi que existiam muitos grupos de Networking e queria me diferenciar, não tinha intenção de ser mais um. Minha verdadeira intenção era conectar pessoas. Assim nasceu o nome Conexões Verdadeiras.

Como apareceram pessoas no primeiro, me animei a fazer o segundo. E agora cheguei ao 17º! Já tive 3 participantes e mais de 30. Além de mim, falando sobre Networking (claro), tive oportunidade de convidar outros 10 profissionais que compartilharam seus conteúdos sobre recursos humanos, estilos comportamentais, insegurança, redes sociais, apresentação eficiente, vendas, gestão do tempo, imagem pessoal, negociação e propósito.

Só alegria, então? Quem me dera! Quis desistir algumas vezes.

Primeiro porque o pessoal deixa para decidir na última hora se vai ou não, o que no começo me deixava muito insegura. Depois porque a cada edição apareciam desafios próprios, exigindo todo um cuidado com o convidado e seu tema para ser atrativo. Fora os comentários maliciosos em tom de feedback sobre local, cardápio, organização, condução e por aí vai.

Aquela sensação de não ser suficiente, entende? Com ela uma necessidade de ficar se justificando. Quem nunca? E isso cansa. Ainda mais quando fazemos de coração sem esperar nada em troca.

A tal reciprocidade

Um dos princípios do Networking é a ajuda mútua. Em seu livro Dar e Receber, Adam Grant fala sobre “os perigos e as recompensas de dar mais do que se recebe” e conceitua três estilos de reciprocidade:

Tomador: gosta mais de receber do que de dar. Coloca os interesses próprios à frente das necessidades alheias.


Compensador: se empenha em preservar o equilíbrio entre dar e receber. Seus relacionamentos são regidos por troca de favores uniformes.


Doador: prefere dar mais do que receber. É mais voltado para os outros e dedica mais atenção ao que pode oferecer.

Cada estilo traz vantagens e desvantagens, mas parece que os doadores acabam se sacrificando mais, muitas vezes sendo vistos como tolos, submissos e fracassados. Isso soa familiar? Confesso que, em certos momentos, me peguei pensando assim porque sempre procurei ajudar as pessoas, dando o meu melhor e dedicando bastante tempo, sem resultados aparentes para mim.

Ao estudar o livro eu aprendi que existe diferença entre ser um Doador Altruísta, que tende a melhorar a vida dos outros renunciando ao seu próprio sucesso, e o Doador Alterista, que é o tipo que inverte o plano mais comum de conquistar sucesso primeiro e doar depois, sugerindo que quem doa primeiro em geral se posiciona melhor para o sucesso posterior.

O que eu poderia ter perdido?

Se tivesse me rendido à insegurança, aos desafios e à opinião alheia, com certeza seria uma grande perda! Foram mais de 200 participações no Happy Hour, alguns viraram habitués, amizades surgiram, negócios foram fechados e parcerias estabelecidas. O melhor é que tudo isso aconteceu para mim também e consigo acompanhar toda essa evolução.

“Foi meu primeiro evento de networking após a abertura da minha empresa. A dinâmica proposta é muito interessante, todos têm a oportunidade de se apresentar após receber dicas muito úteis de como fazê-lo. Tudo parece ser muito simples, mas com certeza a participação no encontro potencializou minhas habilidades nesse campo. Como resultado, um dos contatos que fiz rendeu uma parceria muito promissora para os negócios”

Diretor de Assessoria de Imprensa

“Amei o resultado, o clima e, principalmente, a ideia de ser um ambiente menos formal, que foi de grande valia para que pessoas mais tímidas, como eu, conseguissem interagir”

Analista de RH

“Foi muito bom e deu um bom networking. Fechei negócio e conheci boas pessoas que estão comigo até hoje”

Empresário

Esse círculo é virtuoso

Perceba que meu objetivo de conectar pessoas é genuíno e me mantenho fiel a ele. Ter objetivos e metas não tem problema algum. Os resultados são sempre consequência de suas decisões, atitudes, esforço, coerência e consistência.

Siga seu coração e acredite na generosidade como valor humano intrínseco. Seja útil às pessoas da sua rede, assuma uma postura proativa e contribua independente da falta de agradecimento e recíproca. E é assim mesmo que funciona: ao ajudar sem esperar nada em troca, o retorno virá de onde menos espera.

Ótimas descobertas e conexões!

Raquel Rodrigues

Raquel Rodrigues

Raquel Rodrigues é empreendedora, curiosa, criativa, escritora, palestrante, facilitadora, treinadora emocional e networker por vocação. Idealizadora do canal de conteúdo Conexões Verdadeiras