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Como fazer networking sem dinheiro e com valor

Raquel Rodrigues | Apr 25, 2018

No artigo anterior contei sobre o início do meu negócio e que sei bem como é ficar sem dinheiro. Também já falei algumas vezes que no Networking é importante investirmos tempo e algum recurso.

Ao final dessa leitura você terá uma ideia clara de como investir melhor na sua rede de relacionamentos.

Mas antes, quero compartilhar de onde veio a inspiração para escrever sobre esse tema em particular.

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Certas opiniões machucam

Sabe quando aquela pessoa que você admira tanto diz uma verdade que doi?

Aconteceu comigo quando li o artigo “O networking é superestimado” no site da Época Negócios.

O texto destacado logo abaixo do título diz “Professor de Wharton afirma que é difícil conseguir avanços sólidos na carreira sem ter conquistado nada além de relacionamentos com pessoas importantes”.

Oi? Como assim, Adam Grant?

Se você não sabe, Adam Grant é um reconhecido estudioso na área de recursos humanos e autor dos livros Dar e Receber e Originais, dos quais sou fã e utilizo como referência nas minhas aulas, palestras e treinamentos.

Daí que ele disse “se você odeia a ideia de fazer networking, não está sozinho” e “o networking sozinho leva a transações vazias, não a relacionamentos enriquecedores”. Imagine meus olhos marejados de lágrimas.

Confesso que doeu. Doeu porque tenho pautado meu trabalho em mostrar como o processo do Networking é enriquecedor.

E doeu porque ele tem razão.

“Entre falar e fazer, há muito que dizer”

Esse tradicional provérbio resume bem. Vemos e ouvimos sobre Networking o tempo todo. Do self service da esquina aos grandes congressos, todos utilizam o termo como chamariz. “Traga seus cartões de visitas” vem escrito em letras garrafais.

Mas…

Quem está realmente disposto a conhecer pessoas, criar e manter relacionamentos?

Quem enxerga oportunidades além das metas a serem batidas?

Quem foca na colaboração ao invés dos seus próprios interesses?

Quem usa de empatia para criar vínculos, as tais conexões verdadeiras?

Quem vê no Networking a possibilidade de se desenvolver como pessoa e mudar de vida para mudar vidas?

Quem percebe valor nas interações humanas e em toda a amizade, compaixão, inovação, soluções e resultados que podem gerar?

As pessoas se frustram e negligenciam seus contatos porque encaram de maneira errada o Networking. No fundo, esse é o “muito que dizer” de Adam Grant.

Sem dinheiro e com valor

Grant diz que “os alunos costumam acreditar que ao conhecerem pessoas importantes, seu trabalho vai melhorar. Mas é difícil se conectar a essas pessoas sem ter provado seu valor ao mundo. Suas conquistas mostram que você tem algo a oferecer em troca”.

Aqui volto a ficar de bem com o Adam. Costumo perguntar às pessoas o que elas oferecem de valor e o que estão buscando. O Dar e Receber.

Valor é sobre você. Dinheiro é um meio.

Pessoas se conectam com valores. Dinheiro é consequência.

O primeiro passo é realizar uma autoanálise e listar seus valores. Suas habilidades, competências, gostos, preferências, interesses, formação, conquistas, realizações.

O segundo passo é definir um objetivo, o que for mais relevante para seu contexto atual. Então, prepare duas apresentações, uma de 1 minuto e outra de 3 minutos, que explorem seus valores em relação a esse objetivo. Pratique para interiorizar e grave para as correções necessárias. Você vai usá-las para iniciar conversas.

O terceiro passo é olhar para sua rede de relacionamentos. Pense em quem já conhece e quem seria interessante conhecer para contribuir na realização do seu objetivo.

O quarto passo é exaltar o ganha/ganha. Por exemplo, se você procura uma colocação, comece falando da sua experiência, depois relacione com o valor que percebe na outra pessoa e feche com o motivo do contato.

Não estou dizendo para se gabar, mas sugerindo que encontro uma forma confortável e que funcione para você promover seus valores, suas ideias, seus objetivos. Assim conquistará a atenção do outro, seja alguém que conheça ou estiver conhecendo.

Se estiver sem dinheiro para investir em um evento ou café, tudo bem. Aposte nas redes sociais para retomar contatos ou solicitar conexões. Antes disso, faça sua lição de casa e obtenha informações que auxiliem nesse processo. E use uma das apresentações.

Um autor desconhecido elaborou uma sutil modificação no provérbio, propondo que “entre falar e fazer, há muito que fazer”.

Tenha disposição, mantenha o foco e sinta a coragem. Viva seus valores, confie na sua rede e acredite: os resultados virão.

Ótimas descobertas e ótimas conexões!

Raquel Rodrigues

Raquel Rodrigues

Raquel Rodrigues é empreendedora, curiosa, criativa, escritora, palestrante, facilitadora, treinadora emocional e networker por vocação. Idealizadora do canal de conteúdo Conexões Verdadeiras