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Como a Comunicação impacta as relações de Liderança

Karina Papa | May 22, 2018

A comunicação está em toda parte. Cotidianamente lemos nas redes sociais como Facebook, LinkedIn e Instagram frases que nos fazem pensar, geram movimentos e mobilizam comportamentos. Elas trazem em seu âmago aspectos de cunho político, filosófico e podem ser até os ditos populares. A clássica frase de Sócrates “Conheça-te a si mesmo e conhecerá o universo e os Deuses”, na minha opinião é uma referência quando o assunto é autoconhecimento.

E o quanto as pessoas entendem de sua comunicação ou da falta dela quando se relacionam nos ambientes de trabalho? Não preciso nem dizer do quanto a comunicação é uma competência preciosa no alcance dos objetivos, orientação de equipes e resultados corporativos. No entanto, recebo cotidianamente solicitações de treinamentos e coaching com vistas a melhorar as habilidades de comunicação dos gestores. Muitos líderes esquecem que a comunicação é o principal instrumento para gerar confiança nos liderados. Lembrando do dito popular “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, as relações ainda se baseiam no poder gerados pelos cargos, reverberando assim, medo, insegurança, insatisfação e desmotivação, pois mais importante do que dizer, está o como dizer, na postura e exemplo praticados pelos líderes.

Lembro de uma empresa onde trabalhei um determinado Gerente dizia que seu setor era o coração da organização e por isso gostaria de uma aproximação estratégica com os gestores de cada unidade para entender os problemas vividos por cada unidade gerenciada. O que se ouvia nos corredores? Quem vai solicitar uma reunião com o “gestor coração”? O que fazia os outros gestores não terem a menor empatia e interesse em aceitar uma conversa? Falta de confiança naquele profissional, certamente! Pois o que garante uma boa comunicação é a capacidade de demonstrar ao outro que os meus valores “conversam” com os seus, explicando os reais motivos para tomadas de decisão e comunicando também pelos exemplos e não somente por palavras. É de suma importância cuidar para que a mensagem seja honesta, clara e coerente com as necessidades de quem emite e de quem recebe. Gerando assim, comprometimento e respeito.

No livro Comunicar para Liderar, Kyrillos e Jung nos apresentam a seguinte situação:

“Imagine que você tem que dar uma notícia ruim para a sua equipe: o corte de pagamento de horas extras. Considere abrir a reunião enumerando os fatos que levaram a essa decisão; fale sobre o seu posicionamento em relação à situação, sobre como se sente; e no fim, apresente as atitudes que você espera deles. Pode não ser muito fácil lidar com a frustração do grupo, mas, com certeza, ao falar desse modo transparente e assertivo, você atrairá mais boa vontade e compreensão da sua equipe.” (p. 59, Kyrillos e Jung)

A ausência de uma comunicação transparente resulta em relações superficiais, desengajamento dos profissionais e insatisfação contínua. E ao contrário, quando as pessoas estão envolvidas em relações que promovem uma comunicação habilidosas, elas tornam-se mais ativas, produtivas e engajadas. Na presença de um líder comunicador as pessoas sentem-se valorizadas, reconhecidas em seus pontos fortes, ao serem acolhidas e receberem feedbacks corretivos constantemente.

Por isso, no decorrer de sua carreira profissional, esteja atento sobre suas habilidades de comunicação e em despender tempo para questões mais estratégicas e menos operacionais (essas cada vez mais absorvidas pela tecnologia e inteligência artificial). A partir de tudo o que falamos até agora: como está a sua habilidade de engajar e se comunicar com as pessoas? Se você é líder ou deseja ser? E na sua vida pessoal, como tem usado a sua comunicação para dar sentido à vida das pessoas? E não esqueça: “Conheça-te a ti mesmo”!

Bibliografia:

Comunicar para Liderar. Milton Jung e Leny Kyrillos - 1° edição – São Paulo: Contexto Editora, 2015

Karina Papa

Karina Papa

Karina Papa é Consultora de Carreira, Coach Especialista em alta performance e elevação de resultados.