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A COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA – CNV - PODE SER APLICADA NO MUNDO CORPORATIVO

Ivani Montagner | Mar 9, 2017

A COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA é um processo simples e aplicável no mundo corporativo, que se praticada altera positivamente as relações profissionais

“O que eu quero em minha vida é compaixão, um fluxo entre mim mesmo e os outros com base numa entrega mútua, do fundo do coração.”

Marshall B. Rosenberg

Não há dúvida de que a boa comunicação é uma competência essencial no mundo corporativo. Dentre as diversas teorias de comunicação à sua disposição, gostaria de explorar a teoria da comunicação não-violenta. Desenvolvida por Dr. Rosenberg, a comunicação não-violenta parte da premissa de que gostar de dar e receber de forma compassiva faz parte da natureza humana. Em seu livro “Comunicação Não-Violenta - técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais – o Dr. Marshall B. Rosenberg nos mostra como reformular a maneira pela qual nos expressamos e ouvimos os outros.

A COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA (CNV) exclui julgamentos, rótulos e classificações e inclui a consciência, os sentimentos e a compaixão. É uma forma de comunicação que nos leva a nos entregarmos de coração.

O termo “não violência” refere-se a nosso estado compassivo natural. Os estudos de Dr. Rosenberg envolveram duas questões associadas ao autoconhecimento e as relações interpessoais:

“O que acontece que nos desliga de nossa natureza compassiva, levando-nos a nos comportarmos de maneira violenta e baseada na exploração das outras pessoas? E, inversamente, o que permite que algumas pessoas permaneçam ligadas à sua natureza compassiva mesmo nas circunstâncias mais penosas?”

A CNV nos leva a nos expressarmos acerca do que estamos sentindo, quais são as nossas necessidades e também a utilizar respostas conscientes, mostrando que estamos percebendo, sentindo e desejando de coração entender sentimentos e necessidades, dando ao nosso interlocutor uma atenção respeitosa e empática.

Segundo a CNV, quem doa se beneficia reforçando sua autoestima, vendo que seus esforços contribuem para o bem-estar de alguém e quem recebe aprecia e sente alegria genuína, não se preocupando se o presente cumpriu uma função de lucrar algo.

A Comunicação não-violenta na prática

Para praticarmos a CNV basta haver interesse em se relacionar com compaixão. Os princípios da CNV são simples e de fácil aplicação e vão te ajudar a planejar as suas interações com sucesso. Podemos utilizar a CNV com nós mesmos, com outra pessoa ou com um grupo. A abordagem se aplica a todos os níveis de comunicação e a diversas situações, para gerar relacionamentos eficazes na vida pessoal, no trabalho ou na política.

Quatro elementos permeiam a CNV: observação, sentimento, necessidade e pedido.

  1. Observação isenta de qualquer avaliação. Expressamos clara, e honestamente como estamos, ou o que vemos. É importante ser específico, para um tempo e um contexto determinado. Quando combinamos observações com avaliações a outra pessoa tende a receber como crítica e a resistir ao que dizemos.

    Exemplo:

    • Zequinha é péssimo jogador de futebol – observação com avaliação associada.
    • Em vinte partidas, Zequinha não marcou nenhum gol - observação isenta de avaliação
  2. Expressar como nos sentimos, mediante o que observamos. Nosso vocabulário para expressar o que sentimos costuma ser limitado. É comum nos basearmos no que pessoas que ocupam posições de autoridade acham que é certo dizer ou fazer, ao invés de em contato com nós mesmos percebermos e expressarmos qual é o nosso sentimento em relação a uma situação. Desenvolver um vocabulário de sentimentos que nos permita nomear ou identificar de forma clara e específica nossas emoções nos conecta mais facilmente uns com os outros.

    Exemplo:

    • Alegre, entusiasmado, angustiado – sentimentos
    • Ameaçado, criticado, enganado – interpretações das ações dos outros
  3. Reconhecer quais de nossas necessidades estão ligadas aos sentimentos que identificamos.

    Exemplo:
    “Sinto-me realmente enfurecido quando erros de ortografia como esse aparecem em nossos folhetos para o público, porque quero que nossa companhia projete uma imagem profissional”.

  4. O que gostaríamos de pedir aos outros para enriquecer nossa vida. Quando nossas necessidades não estão sendo atendidas, depois de expressarmos o que estamos observando, sentindo e precisando, fazemos um pedido específico: pedimos que sejam feitas ações que possam satisfazer nossas necessidades. Devemos expressar o que estamos pedindo e não o que não estamos pedindo.

    Exemplo:
    A esposa diz; “Pedi que ele não passasse tanto tempo no trabalho”.

    Algum tempo depois o marido lhe conta que havia se inscrito num torneio de golfe.

    “Eu queria ter lhe dito que desejava que ele passasse pelo menos uma noite por semana em casa com as crianças e comigo”

    Ela havia comunicado com sucesso o que não queria, mas tinha deixado de pedir o que ela realmente queria.

Esses quatro componentes que fazem parte da CNV são utilizados para a auto expressão e também para prestar atenção no que os outros estão observando, sentindo, precisando e pedindo, para “receber com empatia”. A empatia é a compreensão respeitosa do que os outros estão vivendo.

Obstáculos para exercer a comunicação não-violenta

Estudando o que nos afasta de nosso estado natural de compaixão o Dr. Marshall identificou algumas formas específicas de linguagem e comunicação que nos levam a falar e a nos comportar de maneiras que ferimos aos outros e a nós mesmos. Essas formas de comunicação ele chamou de “comunicação alienante da vida”.

Alguns exemplos de “comunicação alienante da vida”:

Julgamentos moralizadores: ocorrem quando as pessoas não agem de acordo com nossos valores e por isso achamos que estão erradas. “O teu problema é ser egoísta demais” “Eles são preconceituosos” “Ela é preguiçosa”.

São também formas de julgamento quando expressamos culpa, insulto, depreciação, rotulação, crítica, comparação e diagnósticos. Aprendemos durante toda uma vida a nos expressarmos sem precisar revelar nossos pensamentos e sentimentos, assim, nossa atenção se concentra em classificar, analisar e determinar níveis de erro e não em expressar e compreender necessidades e sentimentos.

No trabalho, minha colega de equipe é mais atenta aos pormenores do que eu - Minha visão: Ela é “cricri”, “compulsiva”

No trabalho, presto atenção aos detalhes e minha colega de equipe não - Minha visão: Ela é “desorganizada” ou trabalha mal.

Negação de responsabilidade: o uso da linguagem facilitando a negação da responsabilidade pessoal por nossos sentimentos e pensamentos, como quando usamos a expressão “ter de” - “Há coisas que tem de fazer quer queira, quer não” ou “Você me faz sentir culpado”. Também negamos responsabilidades por nossos atos quando atribuímos a papéis determinados por sexo, idade e posição social; impulsos incontroláveis; pressão do grupo; ordens de autoridades, etc.

A CNV é um processo simples e aplicável no mundo corporativo, que se praticada altera positivamente as relações profissionais, tornando-as harmônicas e promissoras, interferindo positivamente em sua performance e também nos rumos de sua carreira.

A CNV é um método que nos ensina a observar sem avaliar, a identificar os nossos sentimentos e a expressar pontualmente o que queremos, sem criticar, analisar, culpar ou diagnosticar. Com este modelo de comunicação aprendemos a transformar padrões de pensamentos, a resolver conflitos, a criar relacionamentos baseados em respeito mútuo, cooperação e compaixão. Aprendemos a enriquecer a nossa vida e a vida das pessoas que nos rodeiam.

Ivani Montagner

Ivani Montagner

Ivani é Coach Executiva e membro da Sociedade Brasileira de Coaching.