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9 Barreiras que nos afastam do Networking

Raquel Rodrigues | May 24, 2017

Sempre encarei o Networking como um grande compromisso e percebo nas pessoas o quanto isso pode assustar. Se antes o ser humano se contentava com a sobrevivência da espécie, com o advento da tecnologia agora vivemos em uma sociedade individualista e imediatista, onde impera a superficialidade. Ouvimos a todo momento que o conteúdo é rei, mas consumimos muito pouco e não queremos nos envolver de verdade. Criamos nosso próprio casulo e ainda sim contamos que nossos anseios serão satisfeitos.

Tony Hsieh, CEO da Zappos, diz:

“Realmente não gosto de eventos de ‘rede de negócios’. Em quase todos esses eventos, parece que o objetivo é andar por aí e encontrar pessoas com quem trocar cartões de apresentação, com a esperança de encontrar alguém que possa ajudá-lo nos negócios, e em troca você pode ajudar aquela pessoa de alguma forma”.

E Adam Grant, autor do livro “Dar e Receber” pontua:

“Quando conhecemos alguém que expressa entusiasmo por novas conexões, frequentemente ficamos pensando se a pessoa está agindo dessa maneira por estar realmente interessada em questões que serão benéficas para ambas as partes ou simplesmente quer conseguir algo para proveito próprio”.

Essas duas citações refletem o grau de desconfiança que paira em nosso meio e a responsabilidade de mudar esse cenário que cabe a cada um de nós.

Em 2013, o Instituto de Desenvolvimento de Conteúdo para Executivos (IDCE) realizou uma pesquisa com 650 executivos de médias e grandes empresas e identificou que 80% deles reconhecem o valor do Networking, mas não usam a ferramenta de modo eficiente.

Se o Networking é costurado pela confiança, é imprescindível entendermos quais as possíveis razões para nos afastarmos dele. Em seu livro “Transformando Networking em Negócios”, Jorge Menezes (que comentei como me conectei aqui) aborda nove barreiras que devem ser vencidas para um excelente desempenho em nossas redes de contato.

Barreira 1: Dificuldade para Ouvir

Ouvir é um dos princípios de Networking. Quando a pessoa só quer falar de si, do seu negócio, dos seus produtos, serviços, certificados, realizações, entre outras coisas, vira um monólogo e o interlocutor se desconecta e você será lembrado pejorativamente como interesseiro e chato. Isso pode acontecer por confundir Networking com venda ou ser uma defesa por insegurança, por exemplo. Descobrir se você anda falando demais ajuda a encontrar uma maneira confortável de estabelecer comunicação.

“No momento do networking, toda a nossa energia precisa estar direcionada para o universo do outro. Só assim começaremos a enxergar o mundo sob o ângulo de visão da pessoa com a qual desejamos estabelecer contato e fazer negócios. Sem esta mudança de foco é quase impossível construir um relacionamento pautado na confiança e no intercâmbio positivo de ideias e soluções”.

Barreira 2: Piloto Automático

Nosso cérebro é programado para poupar energia na intenção de prolongar nossa existência. Por isso criamos hábitos, para não termos que pensar e apenas executar, como escovar os dentes ou dirigir um automóvel. Discursos prontos, frases de efeito e atitudes repetitivas podem ser práticos, mas geram impacto negativo, pois você passa a ser visto como previsível, sem diferencial e criatividade, muitas vezes como indiferente por não parecer concentrado. Relacionamentos exigem presença e interação.

“Sem entusiasmo, não temos como convencer as pessoas acerca dos nossos pontos de vista e, com isso, transmitimos sem querer uma imagem de apatia e conformismo, pontos estes que são altamente rejeitados em nossa sociedade capitalista e empreendedora”.

Barreira 3: Falta de Ameaças

Segurança em demasia na carreira e no negócio pode trazer a falsa sensação de que o Networking não é necessário e o que parece ser um esforço adicional é direcionado para outros fins. A tendência é relaxar e se acomodar, ficar na zona de conforto.

“Precisamos manter a vitalidade da nossa rede de relacionamentos estando em contato permanente com as pessoas que podem ser importantes nos momentos mais decisivos da nossa carreira, sejam estes momentos de crise ou de oportunidade”.

Barreira 4: Falta Exercício

Como exposto anteriormente, Networking se desenvolve através da prática. Quanto mais exercitamos, melhores networkers nos tornamos. É estar aberto ao novo, frequentar lugares novos, conhecer pessoas novas, adquirir conhecimentos novos. Do contrário será como muita gente ao se matricular na academia, no início é empolgante, os resultados começam a aparecer e depois a preguiça reina.

“Praticar networking é como qualquer outro tipo de atividade. Precisamos definir metas de crescimento e também o tempo que vamos investir nesta tarefa”.

Barreira 5: Faltam Objetivos

A falta de clareza gera desperdício de tempo e recursos e afasta as boas oportunidades. Além disso, faz com que nos sintamos perdidos, tenhamos uma visão deturpada e façamos escolhas erradas sobre atividades e eventos. Networking é um processo que precisa de objetivos, compreensão e ação.

“Agir sem objetivos claro é uma forma amadora e pouco confiável de construir relacionamentos. Precisamos olhar na direção certa se desejamos encontrar no mercado as pessoas que estamos procurando”.

Barreira 6: Medo do Fracasso

Embora a perfeição seja utópica, porque nossa jornada evolutiva é de aprendizado e mudanças constantes, e o sucesso seja totalmente subjetivo, nossa sociedade pune quem erra e repudia quem julga ter fracassado. Crescemos sob forte pressão, competitividade e medo. Para nos proteger preferimos não nos expor.

“Quando este medo invade nosso coração, começamos a visualizar em nossa mente tudo de errado que pode acontecer. Agindo assim, estamos canalizando nossas energias mentais para tornar concreto o negativo em nossas vidas”.

Barreira 7: Medo de Não Ser Aceito

Deixamos de tentar quando nos preocupamos com o julgamento do outro e acreditamos sermos inferiores ou muito diferentes do esperado. Somos bombardeados diariamente com modelos transitórios que aprisionam, ocasionando o isolamento principalmente de quem se considera tímido ou com dificuldade de adaptação.

“Não devemos nos limitar pelos padrões sociais, muito pelo contrário: devemos dar vazão ao nosso próprio estilo e à nossa forma de pensar. A diversidade precisa ser tolerada e estimulada para que possamos viver em uma sociedade mais humana e democrata. Não se deixe influenciar pelos padrões da sociedade; seja original e acredite na sua capacidade de agregar valor sem abrir mão do seu próprio estilo”.

Barreira 8: Medo de Correr Riscos


Clichê ou não, a vida é um risco. Sem dúvida, uma de suas belezas são os desafios que levam à superação. Para tanto, temos que nos preparar, capacitar, adotar uma visão realista e manter uma atitude positiva sobre cada decisão, afinal, toda escolha ocasiona um ganho e uma perda.

“O que não pode acontecer é deixar que o medo do risco nos paralise, fazendo com que deixemos de aproveitar as oportunidades que poderiam ser importantes para o nosso crescimento”.

Barreira 9: Medo de Não Ser Compreendido

A oratória deveria fazer parte do currículo acadêmico para auxiliar na organização das ideias, na escolha das palavras e transmissão da mensagem. Esse tipo de despreparo favorece a insegurança, uma comunicação vazia de discurso prolixo sem abertura ao interlocutor. Imaginando que não está sendo compreendida, a pessoa desiste da conversa e cria um bloqueio ao invés de enxergar um ponto de melhoria

“O melhor que podemos fazer é preparar a nossa apresentação antecipadamente para que ela possa ser a mais objetiva e interessante possível, evitando, com isso, a sensação de que falar conosco é perda de tempo”.

Superando essas barreiras

Abraçar o Networking traz consigo um potencial de desenvolvimento pessoal valiosíssimo para todas as áreas da vida. Por isso, o primeiro passo é reconhecer quais são as suas barreiras.

Chamar as pessoas pelo nome, tratar com respeito, ser autêntico, estar presente, cumprir o que promete, dar resposta, demonstrar cuidado, estimular a troca, agir com flexibilidade e manifestar gratidão são alguns dos ingredientes das relações saudáveis, que devem orientar as práticas de Networking.

No próximo artigo falarei de sete princípios básicos, que identifiquei ao longo dos anos, para tornar eficiente o cultivo dos seus relacionamentos.

Ótimas descobertas e ótimas conexões!

Raquel Rodrigues

Raquel Rodrigues

Raquel Rodrigues é empreendedora, curiosa, criativa, escritora, palestrante, facilitadora, treinadora emocional e networker por vocação. Idealizadora do canal de conteúdo Conexões Verdadeiras