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7 Princípios de Networking

Raquel Rodrigues | Jun 29, 2017

Hoje, eu me reconheço networker por vocação. Sempre foi natural para mim observar as pessoas e me interessar por seu universo, seus comportamentos e necessidades. É o meu mindset e, com o passar dos anos, a leitura do modelo mental e o entendimento dos contextos de vida ficaram mais rápidos e fluidos, o talento para ouvir e criar oportunidades entre profissionais ou negócios foi sendo desenvolvido, a decisão sobre as conexões que valem à pena vem sendo aprimorada e a busca por ajudar tornou-se uma constante. É desafiador, motivador e simples ao mesmo tempo, não necessariamente fácil e sem esforço, pois existem barreiras que compartilhei no artigo anterior.

No entanto, foi apenas quando conheci o BNI – Business Networking International, em 2009, que tomei consciência do meu capital social e do que eu poderia alcançar através de boas práticas originadas de bons princípios. Foi como membro de um grupo de empresários e, posteriormente, como Diretora Consultora, vivenciando sua filosofia do Givers Gain (ganhar contribuindo) e experimentando por 6 anos sua metodologia, que tem no Networking seu meio, que pude examinar, acompanhar e distinguir sete princípios básicos para tornar eficiente o cultivo dos relacionamentos.

Princípio 1: Disciplina

“A maioria das pessoas pensa que basta ser bem relacionado e ter uma personalidade agradável que as oportunidades de negócios vão saltar na nossa frente como pipocas em um micro-ondas. Este tipo de ilusão cria a falsa impressão de que o trabalho de networking é passivo, que basta ir a alguns eventos, distribuir cartões de visita e bater papo com as pessoas certas que as oportunidades vão surgir”

Jorge Menezes (já falei dele antes)

Infelizmente, por várias vezes testemunhei pessoas no afã de entregar cartões com o único intuito de apresentar seus produtos ou serviços, mas sem qualquer consistência posterior além de um ou dois e-mails não solicitados, os indesejados spams. A disciplina faz com que o Networking seja parte do planejamento e da agenda, com atividades diárias para o crescimento e ativação da rede de contatos.

Princípio 2: Disposição

Ser uma pessoa disciplinada não é suficiente, é preciso intenção e vontade para escolher desenvolver. Isso porque o Networking envolve pelo menos duas condições fundamentais: investimento de tempo e dedicação com os contatos, normalmente os pontos que geram desistências.

Uma pesquisa sobre gênero e Networking conduzida por Ivan Misner, fundador do BNI, com mais de 12 mil empresários, durante um período de quatro anos, apontou que o tempo médio que as pessoas gastam em atividades relacionadas ao Networking é de 6,31 horas semanais. E esse é só o começo.

José Augusto Minarelli (também já falei dele) diz que “mais do que ser lembrado, você precisa ‘morar’ na memória e no coração das pessoas que conhece. A razão é simples: os dados objetivos sobre os conhecidos nós guardamos na memória – as outras pessoas também fazem isso – e os dados subjetivos no coração”. Com certeza isso não acontece do dia para a noite.

Princípio 3: Oportunidade

O dom da adivinhação está longe de ser uma das características predominantes do ser humano. É possível usar a lógica para desenhar cenários e prognosticar, mas dificilmente teremos cem por cento de certeza sobre coisa alguma. Por isso, o Networking deve ser um hábito praticado a todo momento de forma consciente, tanto para descobrir oportunidades quanto criá-las para si e para os outros.

“É interessante pensar em momentos marcantes (profissionais e pessoais) do passado e descobrir que eles se originaram de uma decisão muito pequena – em geral, uma escolha em conversar ou se encontrar com alguém, ou ainda alcançar um objetivo. Sabendo disso, sempre se valoriza cada novo contato como um momento marcante (para ambos os lados)”, citou um dos participantes da pesquisa sobre gênero e Networking. E outro acrescentou que “a maioria das oportunidades de negócios é encontrada ou criada através de networking”.

Minarelli costuma dizer que: >“o networking a gente pratica o ano inteiro, todos os meses, todos os dias – inclusive nas férias e nos finais de semana”.

Podendo se tornar um estilo de vida.

Princípio 4: Ouvir o outro

O filósofo grego Plutarco (45-120 DC), em seu ensaio sobre a tagarelice, escreveu que “é delicado e difícil para a filosofia empreender a cura da tagarelice. Pois seu remédio, a palavra, é feito para aqueles que ouvem, e os tagarelas não ouvem ninguém, já que estão sempre falando. Eis o primeiro mal contido na incapacidade de se calar: a incapacidade de ouvir. É uma surdez voluntária, de homens que, suponho, censuram a natureza o fato de terem apenas uma língua, embora tenha duas orelhas”.

Todo relacionamento é construído por meio da comunicação e do diálogo. É muito importante haver equilíbrio entre as partes, controlar a ansiedade de querer falar e manter a atenção para conhecer seu interlocutor, bem como permitir que ele o conheça. “Pelo fato de a escuta atenta ser crucial para a compreensão, para estabelecer um relacionamento sólido e, por fim, fazer uma indicação confiável, recomendo que comecem seriamente a se empenhar em habilidades de escuta ativa. Se vocês não estiverem ouvindo estão perdendo dinheiro”, enfatiza Hazel M. Walker, palestrante, empresária, escritora e coach.

Princípio 5: Ajuda mútua

Networking é sobre reciprocidade, um círculo extremamente virtuoso. Eu tenho algo a oferecer, compartilho com alguém, eu busco algo, você tem algo para oferecer e compartilha com alguém, você busca algo. Uma hora chega para você, outra hora chega para mim também. Esse é o motivo pelo qual falamos de ajudar sem esperar retorno, porque esse retorno pode vir de onde menos esperamos.

Três diferenciais valem destaque: 1. ser proativo e dar o primeiro passo; 2. continuar contribuindo independente da falta de agradecimento ou recíproca e 3. pedir e aceitar ajuda.

“Os campeões de networking estão sempre em busca de oportunidades para serem úteis às pessoas da sua rede e sabem da importância de estarem presentes e dispostos a ajudar quando os outros mais precisam. Quando alguém nos procura com um problema, a maioria de nós dá as costas e foge como o diabo foge da cruz. Os profissionais de networking fazem o contrário”

reforça Jorge Menezes.

Princípio 6: Criatividade

O processo do Networking é um estímulo contínuo à criatividade. Primeiro pelo potencial de aprendizado ao conhecermos pessoas com diversas experiências e negócios dos mais variados. Segundo porque para ficar na memória e no coração do outro temos que nos diferenciar dos demais.

Os princípios anteriores se alimentam de criatividade e convergem tranquilamente para ela. Ao perceber uma oportunidade e ouvir com cuidado, somos capazes de criar uma solução nova e ajudar. No grupo de empresários do qual fiz parte costumávamos olhar uns para os negócios dos outros de maneira imparcial e usar nossos talentos para propor alternativas mais rentáveis ou processos mais inteligentes como forma de contribuição. Alguns empreendedores chegaram a mudar sua atuação ou incrementar portfólio a partir dessas ideias, com sucesso.

Jorge Menezes afirma que “hoje em dia, o capital criativo e o talento valem muito mais e podem contribuir de maneira muito mais relevante para o sucesso de um empreendimento”.

Princípio 7: Diversão >“Estou sempre correndo riscos para conseguir o que quero, tanto na minha vida pessoal, como na profissional. Não acho que trabalho é trabalho e diversão é diversão. Tudo é vida”

manifesta Richard Branson, empresário britânico e fundador do grupo Virgin.

Networking pode e deve ser divertido, quanto menos pressão e maior leveza na construção dos relacionamentos, melhor. Um ambiente acolhedor com pessoas descontraídas favorece a discussão dos assuntos mais sérios, minimiza os julgamentos, proporciona a geração de boas ideias e permite a criação de conexões verdadeiras entre os envolvidos.

Sem contar que o “bom humor é contagiante. O som de gargalhadas é muito mais contagioso do que qualquer tosse, fungada ou espirro. Quando o riso é compartilhado, une as pessoas e aumenta a felicidade e a intimidade. O riso também desencadeia mudanças físicas saudáveis ​​no organismo. O humor e o riso fortalecem seu sistema imunológico, aumentam sua energia, diminuem a dor e protegem você contra os efeitos nocivos do estresse. Melhor que tudo, esse medicamento que não tem preço é divertido, livre e fácil de usar”, conceitua um artigo do website Brasil 247.

“Se as pessoas se direcionarem aos aspectos agradáveis do networking, elas farão mais e, dessa forma, gostarão mais do sucesso”,

pontua Ivan Misner.

A chave é a sua motivação

A chave é a sua motivação

A interiorização desses princípios propicia que os relacionamentos se sustentem, pois, a todo momento diversos ganhos são apresentados, o interesse tende a ser mantido e a motivação pela contínua obtenção de resultados garante o ciclo.

Chamar as pessoas pelo nome, tratar com respeito, ser autêntico, estar presente, cumprir o que promete, dar resposta, demonstrar cuidado, estimular a troca, agir com flexibilidade e manifestar gratidão são alguns dos ingredientes das relações saudáveis, que devem orientar as práticas de Networking. Para quem deseja realmente tornar-se um networker e usufruir de todos os seus benefícios, insisto que não basta participar de um evento, trocar meia dúzia de cartões e enviar alguns e-mails. No fundo, a questão é aliar o saber fazer com o por que fazer.

Ótimas descobertas e ótimas conexões!

Raquel Rodrigues

Raquel Rodrigues

Raquel Rodrigues é empreendedora, curiosa, criativa, escritora, palestrante, facilitadora, treinadora emocional e networker por vocação. Idealizadora do canal de conteúdo Conexões Verdadeiras